Estratégias de Ensino-Aprendizagem com Imigrantes Digitais: Sugestões de atividades - Aplicabilidade e Adaptação

Como descrito no Livro "Educação Tecnológica para Imigrantes Digitais" a metodologia de ensino utilizada com alunas imigrantes digitais, foi uma necessidade de adaptação. Com a Pandemia tive de começar a dar aulas remotas e, aquelas que continuaram comigo, não estavam aptas a participar pelo desconhecimento de como acessar as aulas, registrar suas impressões para criar o próprio e-book.
Assim, nasceu o curso "Alfabetização Tecnológica para Imigrantes Digitais". No processo, com o apoio de Nivaldo Ferreira dos Santos, percebi que as variáveis ou etapas poderiam ser resumidas em 4 perguntas:
1) Que problema tenho para resolver que me faça, apesar do medo, aprender estas tecnologias?
2) O que há de novo para aprender no nível da linguagem verbal e não verbal: códigos, símbolos, netiquetas, ameças e forças?
3) Como está meu mundo emocional para encarar este conteúdo pra que eu não tenha de abrir mão dos meus sonhos?
4) Que dados devo armazenar e quais os suportes adequados?
Tive então, uma visão mais complexa e completa do desafio a frente.
A minha experiência de mais de 20 anos em educação, com todas as idades e o fato de ter feito cursos de tecnologia para me especializar, foram determinantes. Considerei que, para facilitar o início de uma jornada, deveria levar em conta os repertórios de cada pessoa, nas dimensões: Pessoal, Social, Cultural e Empreendedora. O método adotado é o da Pedagogia do Oprimido por compreender-se, nesta abordagem, que os imigrantes digitais foram excluídos do processo de saberes na sociedade atual, devendo compreender não só de ferramentas, mas travar:
-uma batalha PESSOAL, portanto interna, de aprimoramento constante diante das mudanças estressantes e incessantes impostas pelas novas mídias, perda da barreira com a linguagem da comunicação e da informação, com predominância da língua inglesa;
-transformação SOCIAL, a partir da mobilidade, em grande escala, por todos os lugares onde a internet e equipamentos puderam chegar;
-a tecnologia está mudando a CULTURA, absorção do aprendizado para além do espaço físico, do livro físico, do presencial apresentando para todos nós, a CIBERCULTURA quando o conhecimento é o maior ativo;
-a absorção de conceitos do mundo antes considerado EMPREENDEDOR que, agora, dentro dos lares impõe-se por meio do contato constante com a língua inglesa e novas tecnologias.
Criei um sistema que chamo de quatro limiares para cada encontro:
1.Linguagem: verbal e não-verbal / transformação de conhecimento tácito em explícito;
2.Universo simbólico: arquétipos, imagens, códigos, cultura cibernética;
3.Educação emocional e socioemocional: autoconhecimento e conhecimento do outro;
4.Tecnologia: capacidade de seleção de uma tecnologia, conforme o contexto.
ATIVIDADE 1 - LIMIAR 1: Onde está o meu medo, está a minha lição.
-Pedir a cada participante para identificar um medo relacionado às tecnologias de maneira geral e apontar o que se pode aprender com este medo. -Exemplo: Eu tenho medo de estragar o computador quando, por isso não ligo. Lição, vou aprender como se liga e não terei mais medo."
ATIVIDADE 2 - LIMIAR 2: Qual a interpretação que faço do símbolo "tecnologia"? -Pedir a cada participante para explicar o que "entende" por tecnologia e descrever o "status" de quem possui e sabe lidar com ela. -Exemplo:"Computador é só pra pessoas ricas e jovens. Na casa da minha patroa tem tudo. Os filhos, cada um tem o seu dentro do quarto..."
ATIVIDADE 3: - LIMIAR 3: Quebrando Paradigmas: Conclusões sobre os limiares 1 e 2. Sentimentos, Bloqueios, Soluções.
-Reflexões: Como foi dedicar um tempo especial para pensar sobre o que dialogamos até aqui? Como se sentiram? O que está acontecendo com os sentimentos agora? -Atividade Manual com música ao fundo: Expressar, como desejar, sobre as sensações. -Exemplo: Pedir para fazer um desenho sobre o que sentiu e compartilhar.
ATIVIDADE 4: LIMIAR 4: Colocando a mão na massa. Hora do Facilitador
-Cada participante deverá escolher, na sala de informática, um equipamento. Observará e descreverá, com as próprias palavras, o que vê. Somente o que vê. -Após ouvir a todas, o facilitador dará uma aula expositiva sobre os conceitos daquele dia.
Viu como é tranquilo?
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Um abraço!
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Lúcia Tânia Augusto: É Curadora Educacional, Palestrante, Escritora, Professora com formação em Magistério, Licenciada em Estudos Sociais, Geografia e História. Especialista em Novas Tecnologias em Educação e Treinamento, Gestão de Projetos e Gestão Estratégica em RH. Proprietária da Escola Portátil de Oratória - Editora Epocriativa e do Projeto Feme$: Femininas Mentes Empreendedoras.

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